Como de costume, na comunidade de Tsubasa no Orkut houve mais um revolta em relação à tradução da JBC, mais especificamente pelo uso de “Biyo” ao invés de “Kiishimu” para a personagem do mundo de Goryeo.
Agradecemos seu contato e para explicar o porquê de ter escolhido “Biyo” ao invés de “Kiishimu”, acho melhor fazer um esclarecimento preliminar.
Uma das idéias centrais de Tsubasa é exatamente a viagem por diferentes mundos para recuperar a memória da Sakura, e as autoras do Clamp freqüentemente
utilizam países reais (ex: Coréia e Japão) como base de criação dos mundos que aparecem na trama.
Assim, no processo da tradução, julgo ser fundamental que o leitor brasileiro também tenha possibilidade de contato com diferentes culturas. Por isso, na edição
brasileira de Tsubasa, há um uso maior de palavras em coreano no país de Goryeo (inspirado na Coréia) do que no próprio original em japonês.
Isso porque um japonês consegue facilmente reconhecer a influência coreana em Goryeo, coisa que um brasileiro costuma ter um pouco mais de dificuldade,
simplesmente por não ter um contato freqüente com a Coréia como os japoneses. Assim, o uso maior de palavras em coreano permite que o leitor brasileiro
tenha um contato maior com a Coréia.
Por outro lado, isso traz consigo a responsabilidade de que as palavras estejam corretas, para apresentar o idioma coreano com um mínimo de acerto.
E é aí que entra o “Biyo”. As autoras do Clamp têm um costume de adaptar leituras de kanji (ideogramas) e de trazer referências nem sempre óbvias. Um exemplo é o “Oni” no país de Outo, que se escreve em kanji como “Filhote Demoníaco” (filhote de Oni), embora a pronúncia seja “Oni”. Isso dá uma dor de cabeça para
os tradutores, mas isso não vem ao caso. (^_^)
No caso do país de Goryeo, a influência mais óbvia é a história de Chun Hyang (Chun Hyang ga). Muitos dos termos em coreano que aparecem nessa saga de Goryeo aparecem nessa história, como “Yangban” e “Amhaeng-eosa”. Mas “Kiishimu”, até onde eu vi, não aparece. Eu fiz uma pequena pesquisa para ver se
conseguia localizar qual o significado original e a forma correta de escrita de “Kiishimu”, mas não consegui encontrar nenhuma resposta convincente.
Por isso, ao invés de utilizar “Kiishimu”, que certamente não é a notação correta da palavra original em coreano, eu optei por utilizar “Biyo”, que é a
notação da pronúncia coreana para os kanji que o Clamp atribuiu para “Kiishimu”. As meninas do Clamp escreveram “Biyo” (em japonês, “Hiyô”) em kanji e
escreveram ao lado “Kiishimu”. Assim, a palavra “Biyo” está de acordo com a denominação dada pelo Clamp, ao mesmo tempo em que está correta em termos de notação da língua coreana.
Esse foi o motivo pelo qual, na versão em português do Brasil, aparece “Biyo” – uma notação correta da palavra em kanji utilizada pelo Clamp – no lugar de
“Kiishimu”, uma notação incorreta de uma palavra coreana de cujo significado ainda desconheço. Aliás, se souber qual é a palavra coreana original, como se
escreve e da onde surgiu, por favor me diga porque eu também tenho curiosidade em saber! (^_-)
É um desafio muito grande apresentar para o leitor brasileiro as inúmeras referências e artimanhas lingüísticas que as meninas do Clamp inserem em seus
mangás (especialmente Tsubasa e xxxHolic).
Mas é um desafio que vale a pena, para que o leitor brasileiro possa sentir os jogos de palavras que têm no original. O uso meramente de termos em japonês
(isto é, sem traduzir) é mais fácil para o tradutor, mas toda essa parte interessante que o Clamp traz para o leitor acaba se perdendo quando o tradutor usa
somente os termos em japonês.
E eu, como fã de Tsubasa, faço questão de que os leitores aqui no Brasil possam aproveitar ao máximo as nuances do mangá de Tsubasa, embora isso
freqüentemente resulte em pedradas ao tradutor! XD
Ufa! Acho que era isso. Peço desculpas pela resposta longa, mas espero que tenha esclarecido um pouco a sua pergunta! d(^o^)b
Estamos à sua disposição.
Nem preciso dizer mais nada. (*tudush* se houve ao fundo)
Tá certo que tem coisas na tradução que são difíceis de engolir (“Phi”), e todo mundo se irrita particulamente com alguma coisa. Mas isso não justifica o passatempo de JBC-bashing que muitas pessoas têm (mas é claro que críticas justificadas são sempre bem vindas e forçam eles manterem seus padrões) e na minha opinião eles estão fazendo um ótimo trabalho com as traduções. Ponto para a JBC.