Primeiras Impressões: Aquarion Evol

Logo de Aquarion Evol

Aquarion foi um anime relativamente desconhecido que gostei bastante. A principal razão de tê-lo assistido foi a direção de Shoji Kawamori (criador de Escaflowne, diretor de Arjuna) e as músicas da sempre excelente Yoko Kanno. Um anime de mechas, com golpes mirabolantes, personagens interessantes e reflexões filosóficas aleatórias. Depois de um OVA sem muito sucesso, fiquei surpreso ao saber que iriam ressuscitar a série com Aquarion Evol. Felizmente, o espírito da série continua o mesmo, apesar de algumas coisas terem mudado, para melhor e para pior. Já adianto que não é uma continuação direta e que não é necessário ver a série original para entender esta.

Amata e Mikono

No mundo de Aquarion Evol, a humanidade é atacada por “Abductors“, que sequestram pessoas para fins misteriosos utilizandos mechas para tanto. Uma organização chamada Neo-DEAVA utiliza máquinas (“Vectors“) para combatê-los, pilotado por jovens que estudam na própria organização. Combinando-se três vectors, forma-se um Aquaria, um mecha humanóide bastante poderoso. Curiosamente, a organização só permite Aquarias formados por três membros do mesmo sexo.

No primeiro episódio, temos Amata Sora, um garoto meio estranho e isolado que é viciado em um filme chamado “Skies of Aquaria” (que aparenta ser sobre os eventos da série original). Um belo dia ele encontra uma outra fã do filme, Mikono Suzushiro. Num passeio pela cidade (Kowloon, inspirada em Hong Kong), um Abductor mais poderoso aparece num mecha e enfrenta um Aquaria. Sora acaba sendo envolvido na luta e, no ímpeto de tentar proteger Mikono, entra involuntariamente num Vector e, fazendo uma “união proibida” com um outro piloto e uma piloto mulher, formando um “Aquarion” e derrota (por ora) o Abductor.

Luta de mechas

Lendo assim a sinopse, vê-se que não tem nada  de muito original, um Evangelion pouco modificado. Mas o espírito da série está no carisma dos personagens: como na série original, temos vários personagens  com personalidades marcantes e cujos múltiplos relacionamentos são o foco da série. Alguns podem não cativar muito, mas outros acabam compensando. Amata pode ser um herói meio shounen, mas sua insegurança e timidez (sem chegar ao nível Shinji) deixam ele mais realista. Mikono, no começo, aparenta ser a princesa inútil que só serve para ser salva pelo protagonista, mas isso não é ignorado pela série como se vê com Zessica, por exemplo, notando que ela era de fato inútil; e em alguns episódios adiante ela começa a tomar mais atitude (espero que isso prossiga pela série). Os outros pilotos da DEAVA (chamado “Elements”, todos possuidores de algum tipo de poder) são ao pouco introduzidos: a Zessica, a piloto auto-confiante (e ao que tudo indica, tsundere) que agita a relação entre Amata e Mikono; Shrade, um piloto misterioso que é capaz de induzir sentimentos em outras pessoas através da música; Cayenne, o irmão mais velho de Mikono que por enquanto só fez o papelo de irmão mais velho, e que possui visões trágicas do futuro. No comando da DEAVA, temos Donar Dantes, um ex-piloto com braços mecânicos e relacionado com um incidente de 9 anos atrás que foi o responsável pela proibição de uniões de sexos diferentes; o ótimo Fudou Zen, o “guru” da série e que soltas tiradas filosóficas totalmente aleatórias (parecidíssimo, e provavelmente relacionado com o Fudou Gen da série original, que desempenha o mesmo papel).

Golpe mirabolante

O genial de Aquarion é o modo como tais relacionamentos refletem o mecha em si: a união de vectors reflete a união dos personagens (inclusive, na série original, no momento da união os personagens experimentavam algo incrivelmente parecido com um orgasmo; em Evol não deram tanta ênfase nisso, por enquanto). Em Evol, principalmente, a proibição de união de sexos opostos dá pano para todo tipo de referência a tensões sexuais e coisas do gênero: na sede da Neo-DEAVA os alunos são separados, por sexo, por um muro gigante (chamado de “Berlin”) que acaba sendo derrubado posteriormente.

Zessica

Um ponto questionável é que, ao contrário da série original, Evol investe muito mais em alguns tropes clássicos de anime. Há bastante fanservice (culminado com a roupa de Zessica, totalmente absurda) e o ambiente da Neo-DEAVA lembra muito o clássico colegial (na série original, os pilotos eram mais velhos). Até dá para entender o motivo comercial por trás de tal mudança, mas não dá para deixar de lamentar um pouco. Ainda assim, acredito não chega a ser algo exagerado a ponto de atrapalhar a série.

Kowloon

O segundo ponto principal da série é, claro, as lutas com Mechas. Kawamori é designer de mechas e naturalmente os Vectors e o Aquarion são ótimos. As lutas são ótimas, os golpes mirabolantes voltaram. A animação em si é muito boa e a arte também – em especial, as paisagens de Kowloon, que são belíssimas.

A AKINO volta na música de abertura que rivaliza com a (já clássica) Sousei no Aquarion, e é totalmente excelente. Ela também canta o encerramento com o resto da seu grupo (bless4).

Para terminar, uma curiosidade fica na seiyuu da Claire: Sakura Tange! É a dubladora da Cardcaptor Sakura. Ela ficou um bom tempo sem trabalhar como seiyuu mas voltou alguns anos atrás, e essa foi a primeira vez que a ouvi dublando desde então. Nostálgico.

 

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