Review: Planetes

Hachimaki no espaço

A Terra está cercada de lixo espacial, o que pode se tornar um sério problema no futuro. Planetes se passa nesse futuro, onde a exploração espacial está bem mais avançada e, após um acidente causado por lixo espacial, precauções começaram a ser tomadas — em particular, o uso de equipes de lixeiros espaciais cujo trabalho é justamente coletar esse lixo. Este anime conta a história de uma destas equipes.

Animes têm alguns exemplos de ficções científicas mirabolantes, com mechas, Gundams e etc. Muito mais raras são séries de ficção científica realistas, e Planetes é uma delas. Ele conta a história de uma equipe de coletores de lixo de uma estação espacial de uma empresa chamada Technora que orbita a Terra. Infelizmente, assim como os lixeiros da Terra, eles são vistos com desdém e considerados a seção mais tosca da estação, ganhando o apelido de “meia seção”. Mas o trabalho deles têm extrema importância e é bastante arriscado.

De início, acompanhamos a entrada de Ai Tanabe, uma novata recém contratada da meia seção. Primeiro vem o choque: digamos que a reputação da seção não pareça ser tão infudada no começo. Ela é recebida com uma festa esdrúxula regada a confetes, e logo conhecemos os membros da seção — um chefe alienado que não sabe metade do que se passa por lá e não faz nada o dia inteiro, um assistente indiano que faz piadas sem graças e puxa o saco de seus superiores, uma estagiária que entra e sai nas horas exatas, e a equipe que coleta lixo de fato: Hachimaki, um sonhador que trabalha para conseguir comprar sua própria nave e leva seu trabalho a sério demais; Fee, a piloto que é viciada em cigarro; e Yuri, extremamente calmo e quieto.

Os primeiros episódios são a adaptação de Tanabe nesse ambiente maluco, tendendo mais para a comédia. Mas logo as coisas começam a ficar sérias (mas sem perder o bom humor) e pouco a pouco vamos conhecendo mais a fundo a motivação de cada membro da meia seção. Como toda boa ficção científica, a tecnologia é importante, mas o ponto central são as pessoas e suas relações entre si e com essa tecnologia. A série aborda inúmeras questões: o ambiente corporativo, guerras, política, terrorismo, exploração espacial, preconceito, sonhos…

E é claro, temos o aspecto tecnológico. A premissa pode não ser muito realista — de acordo com cientistas da seção de lixo em órbita da NASA (sim, existe uma seção dessa!), sair catando o lixo espacial simplesmente não valeria a pena em termos de energia — mas é claro, ficção nunca deixa de ser ficção. Mas além disso, quase tudo que é retratado em Planetes é extremamente realista. É fantástico acompanhar a rotina dos membros da meia seção e ver como seria viver e trabalhar no espaço, tirar férias na base lunar… São vários detalhes que dão esse ar realista e dão um ar até aconchegante, você se sente vivendo com eles enquanto assiste a série. Por exemplo, nas partes sem gravidade e na nave coletora de lixo existem inúmeras barras para apoiar as mãos e os pés, ao fazerem chamadas de vídeo para a Terra você percebe o delay causado pela distância, em tomadas externas de naves não se ouve som algum, entre outras coisas.

Sobre o anime em si, tudo é muito bom: a animação, as músicas, os seiyuus. A abertura em particular é excelente, tanto na música quanto na animação, que mostra a evolução da conquista espacial. Vale notar que existem algumas insert songs cantadas pela Hitomi, que também conta insert songs de Code Geass.

Eu só vi o anime, mas também existe um mangá, que comecei a ler. Ele é meio diferente, mas aparenta ser igualmente bom. (O mangá veio primeiro)

Enfim, fortemente recomendado para fãs de ficção científica e para fãs de anime em geral que queiram fugir do cenário colegial de sempre e ver algo de extrema qualidade que te faça pensar.

Um comentário sobre “Review: Planetes

  1. Putz, esse é um dos meus 3 mangás preferidos, é realmente show, não só por ser um estilo que eu goste (sci-fi hard) como também pelas questões filosóficas levantadas nele, é um daqueles mangás que nos faz pensar muito muito no que o autor escreve…

    Eu não vi o anime, mas o mangá foi uma das melhores leituras da minha vida, e olha que eu não curto mangás ruins e fraquinhos (leia-se, Weekly Shounen Shump. Salvo exceções).

    Eu também torço muito pra que esse mangá seja lançado em papel no Brasil, pois ele já tem um lugarzinho reservado do lado da minha cama \o/

    Parabéns pelo review, ficou muito bom ^^

Deixe uma resposta