Review: Dennou Coil

Dennou Coil é um anime voltado para o público mais jovem, porém contém alguns elementos interessantes de ficção científica e dramáticos. A história se passa no futuro onde as pessoas utilizam óculos de realidade aumentada que permitem a junção do mundo real com o virtual, e o anime explora essa premissa para mostrar o impacto dessa tecnologia no dia a dia das pessoas. A série acompanha Yuko, de 11 anos (apelidada de Yasako, uma leitura alternativa do seu nome que significa “criança gentil”), logo após se mudar de cidade e conhecer colegas como Fumie e Daichi, dois viciados em “óculos” que vivem brigando virtualmente. A trama se aprofunda com o aparecimento de outra Yuko (apelidada de Isako, “criança corajosa”) que pesquisa o lado obscuro da realidade virtual e os “ilegais”, uma espécie de vírus; e com Haraken, um colega de Fumie que pesquisa a morte de uma amiga em um atropelamento que foi suspostamente causada pelos óculos que usava.

O mais interessante do anime é o mundo virtual, sua organização e utilização. Ao colocar os óculos, não apenas são adicionadas imagens sobre o mundo real (como por exemplo um diário que pode ser lido e manuseado com as mãos, ou até um cachorro de estimação) mas também se enxerga o próprio mundo real de forma virtual. Algumas partes do mundo virtual rodam versão antigas do software (os “espaços obsoletos”) e isso é explorado para se obter metabugs, uma espécie de moeda virtual usada clandestinamente na rede.  Contudo, tais ações são coibidas por Satchii, um “antivírus”  gigante que persegue e formata metabugs e também os óculos dos envolvidos.

A primeira parte do anime é um “slice of life” de Yuko e outros, arrumando confusões entre si e fugindo de Satchii. Apesar do aspecto interessante da realidade virtual e sua mecânica, após alguns episódios a série acaba ficando meio monótona (mas fica o apreço por fugir dos clichês usuais de animes). Felizmente, o roteiro toma uma guinada e fica mais interessante com a investigação dos ilegais e a busca do “outro lado”, onde de acordo com lendas urbanas crianças foram levadas e desapareceram. Ainda assim, me parece que a série teria ficado mais enxuta em apenas 13 episódios ao invés de 26. A interação entre Yuko, Isako e Haraken também é bastante explorada e há uma boa desenvolvimento desses personagens, mas os demais ficam um pouco em segundo plano. O desfecho da série, em particular, toca questões interessantes alheias ao mundo virtual e relacionadas à dor trazida pelos relacionamentos e a atitude que se deve tomar perante essa dor.

A animação da geralmente excelente Madhouse é muito boa, principalmente ao retratar o mundo virtual. Em especial, os ilegais, espaços obsoletos e o “outro lado” são muito bem retratados com um clima sinistro, culminando com o aparecimento dos “Nulls” que metem bastante medo. As músicas compostas por Tsuneyoshi Saito, embora não particularmente memoráveis, mantêm o clima de aventura e mistério com perfeição. A abertura (Prism, de Ayako Ikeda) é excelente e foge do usual pop chicletento, também passando um ótimo ar de mistério. O encerramento é a tranquila Sora no Kakera, da mesma cantora. Dennou Coil é uma ótima pedida se você tiver um pouco de paciência e não tiver problemas em ver séries mais juvenis (me senti velho agora), pois os temas de realidade aumentada e a interação de crianças com a tecnologia são bastante interessantes.

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