Livros de 2010 e 2011

Ou o post onde inevitavelmente parece que estou me achando o senhor leitor de livros, mas realmente não é a intenção.

Devoradores de Mortos (Michael Crichton)

Livro que deu origem aquele filme lá com o Antonio Banderas, o 13º Guerreiro. Como de costume pro Crichton, ele mistura realidade com ficção, sendo baseado num manuscrito sobre os Vikings de um viajante árabe chamado Ahmad ibn Fadlan.

A história em si não é lá grande coisas, mas é interessante pela descrição da vida e costumes dos Vikings.

The Wind’s Twelve Quarters (Ursula K. Le Guin)

Uma coleção de contos, a maioria de ficção científica e fantasia. Dois deles se passam no mundo de Earthsea (The Word of Unbinding, The Rule of Names) e três no ciclo Hainish (Semley’s Necklace, Winter’s King, The Day Before the Revolution). Todos muito bons, mas o melhor de todos sem dúvida é The Ones Who Walk Away from Omelas, que ganhou um Hugo Award. Tão bom que insisto que leiam uma cópia marota online.

Após o Amanhecer (Haruku Murakami)

Já virei fã do Murakami e esse não desapontou. A história de passa inteira numa madrugada de Tóquio, e aborda temas usuais do Murakami: alienação, solidão…

Aha! Gotcha: Paradoxes to Puzzle and Delight (Martin Gardner)

Gardner foi um matemático e divulgador científico brilhante, que infelizmente morreu ano passado. Ele escreveu uma coluna popular na Scientific American por 25 anos. Este livro é uma coleção de colunas sobre curiosidades matemáticas, bem interessante.

Pirate Latitudes (Michael Crichton)

Eu não aguentei esperar e comprei o livro em inglês quand vi na Livraria Cultura, mas saiu recentemente em português (Latitudes Piratas). Crichton, autor de Jurassic Park, morreu em 2008: este livro foi encontrado inteiro no seu computador após sua morte. O livro se passa na Jamaica do século 17, e é sobre piratas. Isso já basta para o livro valer a pena.

Aparentemente o Spielberg quer fazer um filme do livro, mas nunca mais saiu nada a respeito.

Worlds of Exile and Illusion (Ursula K. Le Guin)

Três livros em um, yay!

Roccanon’s World se baseia no conto Semley’s Necklace que mencionei acima.

Planet of Exile achei o mais interessante dos três. Ele se passa em um mundo cujo período orbital dura 60 anos terrestres. Isso implica que o inverno dura 15 anos! O livro explora essa característica e o seu impacto na sociedade e cultura do planeta.

Cryptonomicon (Neal Stephenson)

Tecnicamente este não deveria estar na lista porque ainda estou em 1/4 dele, mas vale o comentário. Li muitas indicações desse livro, por ter muitas referências à ciência da computação em geral, mas confesso que me decepcionei bastante (e olha que isso é difícil acontecer). O estilo do autor é muito enrolado, e tenho perdido a paciência por coisas enroladas. Vou ver se reúno forças para terminar.

O Castelo nos Pirineus (Jostein Gaarder)

Uma história interessante sobre a velha dualidade ciência vs religião. Ele conta a história de um casal de namorados que acabou se separando e se encontram muito tempo depois, já casados, e decidem trocar emails sobre diversos assuntos filosóficos e existenciais. O final tem uma surpresa interessante, e a grande mensagem do livro é que a questão do dualismo não é tão simples assim (uma conclusão talvez óbvia, mas que muita gente esquece).

A Tumba e Outras Histórias (H. P. Lovecraft)

Eu já tinha ouvido falar um monte de Lovecraft e o mito de Cthulhu, e decidi finalmente ver do que se trata. Não me desapontei. Este livro tem alguns contos do Lovecraft (poucos do Cthulhu em si) e serve como uma boa introdução ao autor. O estilo dele é fantástico, não é fácil invocar horror com a escrita mas Lovecraft consegue fazê-lo magistralmente. Agora vou ler o Complete Works, que tem todos os contos dele (e é grátis — os contos já são domínio público).

Trilogia da Fundação (Isaac Asimov)

Já tinha lido alguns livros de robôs do Asimov, mas também sempre ouvi falar da trilogia. Não me desapontei. O estilo do Asimov pode ser meio conciso demais mas não vejo como um defeito. A história toda é um supremo Xanatos Gambit: Hari Seldon, um cientista que desenvolveu a “psico-história”, capaz de prever o futuro da humanidade com modelos matemáticos, prevê que o Império Galático iria ruir e cria a Fundação em um planeta remoto, reponsável por reconstruir o Império em apenas mil anos (ao contrário de muito mais que havia sido previsto). Não vou dizer muita coisa pra não spoilear, mas posso adiantar que Seldon sabia o que estava fazendo. Existem mais livros na saga da Fundação, preciso ler todos…

A Casa dos Muitos Caminhos (Diana Wynne Jones)

Terceiro livro da série começada por O Castelo Animado (do anime do Ghibli), este conta a história de Charmain, uma garota adolescente que adora livros e acaba tendo que cuidar da casa do tio enquanto ele viaja. Mas acontece que o tio dela é o mago real, e a casa é cheia de magias bizarras. De alguma forma ela acaba se envolvendo com problemas do reino e altas confusões seguem. Os personagens d’O Castelo Animado voltam, mas o destaque mesmo é da Chairman, que é uma ótima protagonista e muitas vezes a única pessoa sã.

O triste é que a Diana morreu ano passado :(

Breve História de Quase Tudo (Bill Bryson)

O título resume o livro, embora seja interessante notar que o foco está mais na história da ciência. O livro é fascinante e fala realmente de quase tudo. Uma das coisas marcantes que o livro passa é como a ignorância atrasou a evolução científica, por que a maior parte dos cientistas se recusavam a aceitar idéias diferentes do padrão estabelecido, muito bem exemplificado com a história da teoria das placas tectônicas. Triste como o erro se repete inúmeras vezes.

O Maior Espetáculo da Terra (Richard Dawkins)

É bem melhor ler Dawkins escrevendo sobre biologia e não sobre religião. É um ótimo livro que condensa as evidências da evolução (de fato, o maior espetáculo da Terra) e me deprime pensar que alguns se recusam a aceitá-la.

O Fim da Infância (Arthur C. Clarke)

Apesar de ser ficção científica, esse livro tem uma veio meio “mística” (que o próprio Clarke acabou se arrependendo depois, como descrito no prefácio da edição). Ainda assim, é um bom livro que começa no início da guerra fria, quando uma raça alienígena benigna surge e começa a “administrar” a Terra para um objetivo que só é revelado mais tarde.

O Fim da Eternidade (Isaac Asimov)

Livraço. Conta a história dos eternos, pessoas que vivem à margem do tempo-espaço e vão alterando o curso da história com a finalidade de evitar guerras e coisas do tipo, tentando maximizar o bem-estar da humanidade. Mistura ficção científica com thriller e possui várias reviravoltas sensacionais.

A Game of Thrones, A Clash of Kings, A Storm of Swords, A Feast for Crows (George R. R. Martin)

Pois é, vi a série e me viciei nos livros. Martin pode ser prolixo mas a história te prende de tal forma que não acaba cansando tanto. O formato dele, alterando capítulos sob ponto de vista de vários personagens, também ajuda a aumentar o dinamismo da narrativa. Comparações com Tolkien são inevitáveis, e pessoalmente prefiro Martin: os personagens são mais humanos e as descrições menos chatas. É curioso como os elementos de fantasia são deixados ao mínimo e o destaque fica nos próprios personagens mesmo.

 

2 comentários sobre “Livros de 2010 e 2011

  1. Peguei o Reamde, do Neal Stephenson, pra ler, mas desanimei depois de 15 pgs (de 936). Mas como os temas são interessantes (gold farming, mmos, mundos virtuais em geral) talvez eu me anime.

    Eu AMO o Breve História sobre Quase Tudo. Ano passado eu li dele At Home: A Short History of Private Life, que é bem interessante. Ele vai contando a evolução da vida doméstica a partir dos cômodos de uma casa inglesa, e acaba falando da evolução das ideias de higiene, sexo, morte, relações familiares etc etc no mundo ocidental. É mais fácil ainda de ler que o Breve História.

    Roubei vários livros da sua lista pra minha lista de to read no Goodreads :D

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