Vou convenientemente ignorar que já passamos da metade de 2010.
§ A Equação que Ninguém Conseguia Resolver (Mario Livio): eu adoro livros de história da matemática… este conta toda a história por trás das tentativas de achar fórmulas que dêem as soluções de equações de quinto grau. Muito interessante.
§ Ballad of a Shinigami 1 e 2 (K-Ske Hasegawa): light novels que viraram o anime Shinigami no Ballad. É um pouco mais aprofundado que o anime, o que é interessante, em especial o surgimento de uma nova personagem quase rival à Momo. Pena que vou ficar sem saber o resto, porque foi cancelado lá nos EUA :(
§ Norwegian Wood (Haruki Murakami): meu primeiro livro do Murakami. Não me atrevo a fazer uma crítica aprofundada dele, mas posso dizer que gostei muito. Conta a história de um estudante e sua relação com a namorada de seu melhor amigo, amigo este que se suicidou tempos antes.
§ Minha Querida Sputnik (Haruki Murakami): outro livro excelente. Conta a história de Sumire e de sua primeira paixão, narrado por “K”, seu melhor amigo. É basicamente um livro sobre solidão, a distância entre as pessoas – o título é uma alusão ao satélite russo, isolado no espaço.
§ As Variedades da Experiência Científica (Carl Sagan): sou fã babão do Sagan mas devo dizer que, apesar desse ser um bom livro, ele pouco me marcou. Acho que como Dawkins, ele se sai melhor falando de ciência e de sua área, no caso, astronomia.
§ Pirâmides (Terry Pratchett): Discworld é Discworld, nem tenho mais o que dizer :)
§ Surely You’re Joking, Mr. Feynman! / O Senhor Está Brincando, Sr. Feynman? (Richard Feynman): Feyman foi um dos mais importantes físicos da história, mas algo que o destaca dos demais é a sua personalidade única e extrovertida. Esse livro é uma reunião de “causos”, e com ele você conhece um pouco da incrível vida dele. Inspirador, para dizer o mínimo. Um dos “causos” mais interessantes é sobre quando ele veio dar aula no Brasil, e conta como os alunos daqui abordam o aprendizado de uma maneira totalmente estapafúrdia. Esse capítulo é tão bom que insisto que leiam, tem pela net em português. O livro tem edição em português, mas por algum motivo é caríssima.
§ QED: The Strange Theory of Light and Matter (Richard Feynman): depois do livro acima, tive que ler algum livro de física dele. Este tenta explicar a eletrodinâmica quântica para “leigos informados”. Como eu li o livro como se tivesse lendo um livro comum, fui ignorando o que não entendia, mas mesmo assim é bastante interessante. Ele mostra como a luz é uma coisa totalmente bizarra. Um trecho interessante (peço desculpas se falar besteira, faz tempo que li :P) foi ele comentando que a luz sempre tenta achar o caminho mais rápido – mesmo que ele não seja o mais curto! Um exemplo são as miragens: elas são imagens do próprio céu, que você enxerga como se estivesse no chão, no horizonte. Isso ocorre pela variação na refração do ar quente, que permite que a luz vinda do céu faça uma “curva” no ar permitindo você observá-la de um ângulo que normalmente não é possível. O estilo do Feynman de explicar as coisas é bastante interessante, sempre exemplificando tudo com experimentos mentais. (Sempre achei que se todo livro científico tivesse exemplos o suficiente, a humanidade avançaria no dobro da velocidade.)
§ Welcome to the N.H.K. (Tatsuhiko Takimoto): é a light novel que deu origem ao anime, o qual ainda não assisti. Ele conta a história de um hikikomori que inventa que existe uma conspiração que é culpada por ele ser tão fracassado. Já deve ter dado para perceber que gosto de personagens desajustados, e esse é um excelente exemplo :)
§ Onde está o Wally? A Grande Caça aos Quadros (Martin Handford): eu adorava os livros do Wally quando era criança, e quando vi que tinham lançado um novo recentemente, não resisti. É muito legal ficar viajando nas imagens vendo acontecimentos aleatórios. E é claro, procurar Wally e companhia.
§ The Left Hand of Darkness / A Mão Esquerda da Escuridão (Ursula K. Le Guin): comecei a ler os livros dela por causa de Earthsea, mas gostei tanto que estou lendo os demais. Esse faz parte do “Ciclo Hainish”, de ficção científica. Conta a história de Genly Ai, um emissário de uma liga interplanetária a um planeta recém descoberto. Neste planeta, os habitantes não têm sexo definido; eles só tomam identidades sexuais uma vez por mês, nos dias em que se relacionam sexualmente. O livro explora as possíveis consequências deste fato curioso: por exemplo, não há guerras de grande escala nesse planeta (de fato, sempre achei que 99% das guerras foram causadas por excesso de testosterona). A Le Guin é uma excelente autora, e sabe explorar muito bem a sua premissa. A ausência de sexos não é o ponto único da obra: ela explorar a ausência de dualidade de uma modo geral; por exemplo, esse planeta passa por um inverno constante, tanto que é chamado de “Inverno” pela liga. Isso se reflete no título do livro, cujo sentido é revelado no final da história.
Comprei o livro na Amazon, mas recentemente a editora Aleph relançou ele no Brasil.
§ The Dispossessed / Os Depossuídos (Ursula K. Le Guin): acredito que é meu livro favorito da Le Guin até então. Também do Hainish Cycle. A história se passa em dois planetas habitados que giram ao redor um do outro, Anarres e Urras. Anarres é habitada por uma colônia anarquistas, exilados de Urras após uma revolução. O livro conta a história de Shevek, um físico de Anarres que decide visitar Urras para divulgar suas pesquisas (de modo geral, a ida de pessoas de um planeta a outro é proibida). O interessante do livro é a especulação de como seria uma sociedade anarquista. A sociedade que ela mostra é muito interessante, onde todo e qualquer conceito de propriedade, posse é negado (daí o título). Para ilustrar até onde vai isso, por exemplo, em Anarres você não chama sua mãe de “sua mãe”, e sim “a mãe” – afinal, ela não é sua, não existe posse! De fato, uma sociedade sem o conceito de posse parece ser algo muito interessante, pena que dificilmente um dia se tornará real. Claro que nem tudo é perfeito, e a Le Guin também mostra os lados ruins de tal regime. Também é interessante ver a reação de Shevek, criado desde criança neste sistema, ao chegar em Anarres, em um país totalmente capitalista (A-io, referência aos EUA); ao ser levado a um shopping ele não se conforma em como tudo é etiquetado com um preço. Enfim, recomendo fortemente. Ele foi publicado no Brasil, mas saiu de circulação.

Eu não tinha dado muito atenção a 

